O adeus

 

 

 

 

 

 

Cena 001 – A doença

 

José fraco e tossindo

– Chamem o Alexandre, para me despedir dele.

 

Ricardo

– Ainda não chegou a tua hora.

 

Horas depois

Alexandre

– Avô, avô. Olha o meu  papagaio de papel.

 

 

Cena 002 – A despedida

 

 

José deixa cair o papagaio e morre

Alexandre aflito

 

– Porque é que o avô não responde?

 

Ricardo

– Partiu.

 

Alexandre

– Partiu para onde?

 

Ricardo

– Morreu.

 

Cena 003 – A refeição

 

 

Ricardo

– Enquanto não vêm buscar o avô, vamos comer.

 

Alexandre

– O que é que acontece  aos mortos?

 

Ricardo

– Independentemente de serem enterrados ou queimados voltam todos à terra.

 

Alexandre

– Então os bons não vão para o céu?

 

Ricardo

– Por acaso não tens tpcs para fazer?

 

 

Cena 004 – O passeio

 

 

Ricardo

– Estás descachaçado?

 

Alexandre

– Sim. Posso levar a minha bicicleta?

 

Ricardo

– Parece-me uma excelente ideia. Passamos na oficina e trocamos os pneus.

 

–  Olha um lago com patos.

 

Cena 005 – A multidão

 

 

Ricardo

– Que grande multidão de patos.

 

Alexandre

– E se lhes desse o resto do meu pão?

 

Ricardo

– Não acho nada, boa ideia.

 

Alexandre

– Porque não?

 

Ricardo

– Ainda nos pegam alguma doença.

 

 

Cena 006 – O temporal

 

 

O céu escurece e o vento assobia

 

Ricardo

– Vamos embora, antes que rebente o temporal.

 

Alexandre

– Nem trouxemos guarda-chuva.

 

Ricardo

– Vamos dar uma corrida porque não me apetece ficar doente.

Cena 007- Voltam as questões

 

 

Alexandre

– Há pessoas, que dão dinheiro, para o morto subir ao céu?

 

Ricardo

– Pois, mas isso é um roubo.  Só serve, para enriquecer quem pede.

 

Pensa lá bem. Para que é que, um morto precisa de dinheiro, se já não existe? A subida ao céu não depende, do que tu tens, mas sim, da tua missão, senão todos os ricos tinham entrada garantida.

 

 

 

Cena 008 – Avisar as pessoas

 

 

Alexandre

– Então, temos de avisar as pessoas, que estão a ser roubadas.

 

Ricardo

– À quem faça isso há mais, de um século.

 

Alexandre

– Quanto tempo é isso?

 

Ricardo

– São mais  de 100 anos.

 

Cena 009 – Ida ao cinema

 

 

Alexandre

– E se fossemos ao cinema?

 

Ricardo procurando no telemóvel

– Temos um filme de carros, daqui a  meia hora.

 

Alexandre

– Que fila, tão grande! Não vamos chegar a horas.

 

 

Cena 010 – Lanche

 

 

Duas horas depois

 

Ricardo

– Gostaste do filme?

 

Alexandre

– Muito. Foi fixe, mas estou cheio de fome.

 

Ricardo

– Que tal, duas tostas mistas e sumo fresquinho?

Alexandre entusiasmado e batendo palmas

– Sim! Sim! Sim!

Cena 011 – Regresso a casa

 

 

Ricardo

– Ajudas-me a fazer a sopa, para jantarmos?

 

Alexandre

– Vai ser de quê?

 

Ricardo

– De espinafres.

 

Alexandre

– Vou ficar forte, como o Popeye.

 

Ricardo

– Eu lavo os legumes e tu pões na panela..

 

Alexandre

– Posso pôr a panela, ao lume?

 

Ricardo

– Claro não!

 

Alexandre

– Porque não?

Ricardo zangado

 

– Porque não chegas lá. Entornas tudo. Ficamos sem jantar e eu tenho fome. Agora senta-te e espera.

 

 

Cena 012 – Hora de descanar

 

 

Duas horas mais tarde

 

Ricardo

– Desliga a televisão. Já é tarde.

 

Alexandre

– Só mais, um bocadinho.

 

Ricardo

– Não. Estou muuuuuito cansado. Boa noite.

 

 

Fim

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